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Pedestre é mais rápido do que motorista na marginal do Tietê

O trânsito na capital paulista não anda acima da média, mas quase metade dele tem se concentrado em uma das vias mais problemáticas da cidade: a marginal do rio Tietê. Com as obras das pistas adicionais em fase final, motoristas chegam a enfrentar um congestionamento capaz de tornar o carro mais lento do que percorrer o trajeto a pé.

“Já é a quinta vez em duas semanas que eu me atraso para o trabalho”, diz o analista de sistemas Fábio Gonçalves, 28. Mais de meia hora praticamente parado próximo à ponte da Vila Maria, ele costuma ir de ônibus ao centro, mas abandonou a ideia. “Com esses bloqueios, ir de ônibus demora ainda mais, porque a pista da direita é a pior. É impossível”, reclama.

Nesta segunda (8), para atravessar a marginal partindo da Vila Guilherme apenas até o ponto próximo à ponte das Bandeiras, um trecho de 3,5 quilômetros, foi necessária 1 hora e 45 minutos. O UOL Notícias conseguiu até sair do carro, desligado, para fazer esta reportagem.

“Isso aqui anda intransponível. Enquanto toda a cidade está transitável, ficamos aqui presos nesse trânsito. O pior é que não tem como desviar”, diz Laura Silva, 42. Ela também costuma ir de ônibus trabalhar, mas, desta vez, saiu de carro. “Comecei hoje. O problema são essas interdições, porque eles fazem todas de uma vez, e bem na pista de ônibus, e não tem como passar. É até perigoso andar muito rápido.”

Na média, foram 2 km/h, velocidade que nem chega a pedir a troca da primeira marcha. O horário percorrido não era o de pico da manhã ou da tarde. Pouco mais de meio-dia. Na máxima permitida no trecho, 70 km/h, seria possível percorrer o caminho em 3 minutos.

Veja no mapa o trecho percorrido pela reportagem em quase duas horas
Relatório da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) concluído em fevereiro mostra que, segundo reportagem do jornal “Folha de S.Paulo (exclusivo para assinantes)”, a velocidade média do trânsito na cidade caiu de 18 km/h, no pico da tarde (17h às 20h) em 2008, para 15 km/h em 2009.

O jornal comparou a velocidade média de cada veículo a de vários animais e constatou que o rush paulistano se assemelha a uma galinha, que chega a correr a 14 km/h. Na marginal do Tietê, um pedestre andaria mais rápido (5 km/h em média).


CET-SP atribui lentidão às obras da nova marginal; intervenções mais recentes ocorrem próximas às pontes da Vila Guilherme e das Bandeiras

Às 16h, a marginal concentrava 32,7% de toda a lentidão da capital, com 11,9 km de congestionamentos no sentido Castello Branco. Já o sentido Ayrton Senna tinha 3,8 km de vias com problemas, 10,4% do total. Quase a metade do trânsito em toda a capital no horário se concentrava na via. O segundo pior trecho, no eixo Leste-Oeste, possuía apenas 3,3 km de filas.

Obras
A CET atribui a lentidão na região às interdições necessárias às obras da nova marginal e afirma que, enquanto for necessário, haverá restrições na via. Já a Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A) afirma que as obras de ampliação da via estão dentro do prazo e devem ser finalizadas até o final de março. Os complexos, três novas pontes e três novos viadutos, devem ser terminados em outubro. Segundo o governo, espera-se uma redução no tempo das viagens pela via expressa em 33%.
Fonte: UOL

09/03/2010